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Gabriela dos Santos Batista Ribeiro
Projetos

Pesquisa apoiada pelo BLP responde por 66% dos registros da flora do Parque Nacional de Saint-Hilaire/Lange

Das 1.295 espécies reunidas em catálogo do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, 854 tiveram registros confirmados a partir de amostras coletadas pelo projeto Estudos da Restauração

O Parque Nacional de Saint-Hilaire/Lange (PNSHL), no litoral do Paraná, acaba de ganhar um importante instrumento para o conhecimento e a conservação de sua biodiversidade. Uma lista descritiva da flora da Unidade de Conservação (UC) foi publicada no Catálogo de Plantas das Unidades de Conservação do Brasil, plataforma mantida pelo Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ), reunindo 1.295 espécies de plantas registradas na área.

Parcela expressiva desse conhecimento vem de pesquisas recentes realizadas pelo projeto Estudos da Restauração: pesquisa, estruturação e planejamento, executado pelo Mater Natura – Instituto de Estudos Ambientais e financiado com mais de R$ 700 mil pelo Programa Biodiversidade Litoral do Paraná (BLP). Das 1.295 espécies que compõem a flora do Parque, 854 — o equivalente a 66% — tiveram seus registros confirmados a partir das amostras coletadas pela equipe do projeto.

“O levantamento florístico para o catálogo foi realizado pelo projeto e a solicitação formal para inclusão da lista no catálogo foi realizada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que é o gestor do Parque”, detalha o coordenador do projeto, Daniel Miller. Localizado na Serra da Prata, entre as baías de Guaratuba e Paranaguá, o PNSHL abrange áreas de Guaratuba, Matinhos, Morretes e Paranaguá. Apresenta uma variação altitudinal de aproximadamente 10 a 1.500 metros, condição que favorece a ocorrência de diferentes tipos de vegetação e contribui para a elevada diversidade de espécies registrada na UC. 

O catálogo reúne e organiza informações sobre as plantas registradas em UCs de todo o país. A plataforma busca tornar mais acessíveis dados que muitas vezes permanecem dispersos em coleções biológicas, inventários e publicações científicas, facilitando sua consulta por pesquisadores e profissionais que atuam na conservação da biodiversidade. Com a inclusão do PNSHL, as informações sobre sua flora passam a integrar uma base nacional de referência.


Mapa de localização do Parque Nacional de Saint-Hilaire/Lange. Crédito: Plano de Manejo do PNSHL/ICMBio.

A publicação amplia e organiza o conhecimento disponível sobre essa diversidade. Os registros produzidos em campo, associados às informações já existentes, passam a integrar uma plataforma pública de referência e podem subsidiar novas pesquisas e ações de manejo, conservação e restauração.

Pesquisa de campo amplia base científica sobre a flora

Para produzir as informações incorporadas ao catálogo, a equipe realizou, ao longo de aproximadamente um ano e meio, expedições em diferentes áreas do Parque e coletou 1.123 amostras botânicas. O material foi depositado no Herbário Escola de Florestas Curitiba (EFC), com duplicatas encaminhadas a outras coleções botânicas, garantindo a preservação dos registros e sua disponibilidade para novas pesquisas.

Para o botânico Marcelo Leandro Brotto, responsável pelos estudos de flora do projeto por meio do Museu Botânico Municipal de Curitiba, o levantamento ajuda a avançar no conhecimento sobre a diversidade vegetal da Serra da Prata. “A sensação de estar gerando conhecimento para a humanidade é bem gratificante. Quando eu olho para a Serra da Prata sempre me pergunto: Afinal, quantas plantas existem aí? – Então, agora eu sinto que estamos no caminho de responder essa questão. E isso me deixa bem realizado como profissional!”

Pesquisa revela nova ocorrência para o Sul do Brasil

As expedições também produziram informações até então desconhecidas sobre a distribuição de espécies. Em maio de 2025, pesquisadores encontraram no PNSHL a orquídea Bulbophyllum campos-portoi, registrada pela primeira vez no Paraná e em toda a Região Sul. O exemplar foi localizado nas proximidades do Salto do Tigre, em Matinhos, crescendo como epífita sobre uma árvore de massaranduba (Manilkara subsericea). A descoberta ampliou a distribuição conhecida da espécie e foi posteriormente documentada em publicação científica.

O registro mostra a importância de levantamentos sistemáticos mesmo em áreas protegidas e estudadas há décadas. Além de confirmar ocorrências já conhecidas, as pesquisas podem revelar novas informações sobre a distribuição das espécies e indicar pontos que demandam novos estudos.

Para conhecer outras iniciativas apoiadas pelo BLP, clique aqui.

Foto: Gabriela dos Santos Batista Ribeiro