
Produções audiovisuais ampliam o alcance de ações financiadas pelo BLP
Documentário e websérie apresentam pesquisas sobre espécies invasoras e experiências de gestão participativa, com relatos de pesquisadores, gestores e comunidades do litoral do Paraná
O investimento do Programa Biodiversidade Litoral do Paraná (BLP) em pesquisa e conservação também financia a produção de conteúdos audiovisuais. Documentários e séries realizados pelos projetos apresentam informações científicas junto a imagens dos ecossistemas e relatos de quem vive e trabalha na região. Além de divulgar as iniciativas, os materiais podem contribuir para a educação ambiental e a sensibilização do público sobre a conservação da biodiversidade.
Duas produções integram esse trabalho: o documentário Invasão Silenciosa, desenvolvido pelo projeto Marés de Mudança, da Universidade Estadual do Paraná (Unespar), e a websérie Diálogos para a Conservação, realizada pelo Mater Natura – Instituto de Estudos Ambientais. O primeiro aborda os impactos de espécies não nativas no Complexo Estuarino de Paranaguá. A segunda apresenta experiências de participação das comunidades na gestão de Unidades de Conservação do território da Área de Proteção Ambiental (APA) de Guaratuba.
Espécies invasoras e impactos sobre a pesca
O documentário Invasão Silenciosa acompanha pesquisas sobre espécies não nativas no Complexo Estuarino de Paranaguá, com foco nos efeitos desses organismos sobre os ecossistemas e as atividades das comunidades locais. “São bichos fáceis de reconhecer. Os pescadores olham e sabem que bicho é, além de relatarem uma série de problemas que já enxergam com essas espécies. É uma ostra, um mexilhão e um siri que atrapalham principalmente quem extrai recursos do mar ou cultiva. Essas são as três espécies-bandeira do projeto, mas há outras espécies que estamos monitorando”, afirma o coordenador do projeto Marés de Mudança, Rafael Metri.

A experiência de um pescador artesanal conduz a narrativa. “Ele percebe a chegada de espécies estranhas e o quanto isso ameaça o trabalho e o sustento dele. Também demonstra uma preocupação com a qualidade dos ambientes do litoral. Tivemos ainda falas de gestores ambientais e de pessoas ligadas à área portuária. Conseguimos mostrar a visão dos diferentes grupos convergindo para apresentar o problema e a necessidade de fazer alguma coisa”, relata Metri.
A produção inclui imagens dos ecossistemas costeiros e das Unidades de Conservação, apresentando ao público os ambientes afetados pela bioinvasão. “É uma história muito bem contada sobre um problema ambiental, mas que destaca a beleza dos ecossistemas do litoral, das Unidades de Conservação e a importância da biodiversidade. O filme fala de um problema, mas encontrou uma forma muito bonita de contar essa história”, avalia o coordenador.
Exibições públicas e previsão de lançamento no YouTube
Invasão Silenciosa foi Cinemateca de Curitiba e também teve uma sessão em uma unidade da Unespar em Paranaguá. As exibições reuniram pesquisadores, jornalistas, representantes políticos e outros interessados no tema, com conversas após as sessões. Segundo Metri, estão previstas exibições em Matinhos e na comunidade do pescador que participa da produção. A sessão na comunidade deverá apresentar o resultado do trabalho aos moradores e valorizar sua participação nas pesquisas. O documentário deverá ser publicado em breve no YouTube.
Metri relata que o filme despertou o interesse de pesquisadores e integrantes de outros projetos dedicados ao estudo de espécies exóticas no litoral. “Ouvimos de especialistas presentes às exibições que o filme provavelmente será um marco sobre o problema da invasão no litoral do Paraná. Apesar de termos grupos que pesquisam isso há muitos anos e gestores que precisam lidar com o problema, as ações ainda são dispersas e pontuais. Agora estamos conseguindo realizar trabalhos integrados entre diferentes grupos e o próprio filme aponta para essa mobilização de todos os setores, sempre valorizando a participação das comunidades tradicionais nessas discussões”, conclui Metri.
Websérie apresenta a participação das comunidades na conservação
A relação entre comunidades e áreas protegidas é o tema da websérie Diálogos para a Conservação, realizada pelo Mater Natura – Instituto de Estudos Ambientais. A produção integra o projeto Diálogo UC, que foi financiado pelo BLP para fortalecer a gestão participativa das Unidades de Conservação do território da APA de Guaratuba. Os episódios reúnem depoimentos de moradores, pesquisadores, gestores e participantes das atividades do projeto.
No primeiro episódio, a coordenadora do projeto Renata Padilha explicou que a iniciativa começou pela reunião das pessoas que viviam e atuavam no território “O Diálogo começou reunindo as pessoas, os atores desse território, para poder entender a fundo os problemas e os conflitos que existem aqui. A ideia é capacitar pessoas para que elas consigam olhar, ter esse olhar mais aprimorado, mais aprofundado”.
Os episódios seguintes mostraram o que foi desenvolvido em cada área. Na APA de Guaratuba, a série apresentou o plano de manejo e o conselho consultivo. No Parque Nacional Guaricana, registrou a escuta das comunidades do entorno e a elaboração de um diagnóstico para subsidiar o planejamento do conselho.

O episódio sobre o Parque Nacional de Saint-Hilaire/Lange acompanhou a criação de uma cartilha que explicou o plano de manejo às comunidades do entorno. No Parque Nacional Marinho das Ilhas dos Currais, pescadores compartilharam memórias e conhecimentos sobre o arquipélago em rodas de conversa que inspiraram a proposta de um material educativo.
Já o capítulo dedicado ao Parque Estadual do Boguaçu mostrou encontros com moradores do interior e do entorno da unidade para apresentar o parque e conversar sobre a participação das comunidades em sua gestão.
Os episódios estão disponíveis gratuitamente no canal do Mater Natura no YouTube.