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Institucional

II Encontro do BLP reúne gestores e parceiros para avaliar avanços e definir estratégias para os próximos anos

Gestores de Unidades de Conservação (UCs), representantes de instituições parceiras e convidados participaram, entre os dias 12 e 14 de agosto, do II Encontro Presencial do Programa Biodiversidade Litoral do Paraná, realizado no Ekôa Park, em Morretes (PR). O encontro marcou um momento de avaliação dos cinco anos de atuação do Programa e de construção coletiva de estratégias para os próximos ciclos de trabalho.

Ao longo de três dias, os participantes revisaram resultados dos projetos financiados pelo Programa, compartilharam aprendizados, discutiram desafios e avaliaram as estratégias que orientam a atuação do BLP. As atividades também tiveram como foco a revisão do Planejamento Estratégico – PELP, com o objetivo de identificar prioridades e aprimorar a atuação do Programa no fortalecimento e na consolidação UCs do litoral paranaense.

A programação combinou apresentações, dinâmicas, grupos de trabalho e plenárias, organizados em três eixos de discussão: avaliação dos resultados alcançados, articulação e integração entre os atores do território e definição de prioridades para os próximos anos.

Conservação como construção coletiva

A importância da articulação entre diferentes instituições foi um dos temas que atravessaram os três dias de encontro. As atividades buscaram identificar os atores envolvidos direta e indiretamente com o Programa, os espaços de governança existentes e as oportunidades para ampliar a integração entre políticas, projetos e iniciativas.

Na  abertura, a procuradora da República, Monique Cheker, destacou que a disponibilidade de recursos do BLP representa uma oportunidade para fortalecer a conservação no Paraná. “O propósito do BLP é a conservação da biodiversidade e isso passa pela atuação conjunta de todas as instituições. Hoje, temos um privilégio no Paraná de ter recursos para fazer a conservação acontecer. Desconheço outro estado que esteja, neste momento, em uma situação semelhante à do Paraná”, afirmou.

Monique também ressaltou a importância da liderança feminina na conservação da natureza e lembrou que a liderança do Programa é composta por mulheres, o que reforça o protagonismo feminino na construção de estratégias, na tomada de decisões voltadas à proteção da biodiversidade e na atuação institucional, gerando uma agenda ambiental mais integrada e representativa no território.

A procuradora destacou ainda que o mecanismo financeiro associado ao Programa vem contribuindo para aproximar instituições, fortalecer a governança e criar condições para a chegada de novos recursos ao território. Segundo ela, os cinco anos de implementação foram marcados por um processo de aprendizado, construção de acordos e amadurecimento das ferramentas e espaços de governança. “Hoje, temos um mecanismo de incentivo e de oportunidades muito mais maduro. Testamos as ferramentas, fomos construindo a governança e aprendemos com esse processo”, avaliou.

Para Monique, o próximo ciclo deve reduzir a lógica de ações emergenciais e de curto prazo e avançar para uma visão estratégica de longo prazo, com foco na consolidação das UCs, no fortalecimento da proteção e na promoção do desenvolvimento sustentável.

A articulação foi destacada por Ariel Scheffer da Silva, presidente do Conselho Consultivo Gestor do BLP. Ao falar sobre sua trajetória acompanhando as discussões relacionadas à conservação no litoral, ele lembrou que a falta de recursos historicamente esteve entre os principais desafios para a implementação de iniciativas na região.

“Nunca tivemos uma oportunidade tão grande de contribuir de forma efetiva com a pesquisa e com as UCs, especialmente pela possibilidade de contar com recursos. Essa retrospectiva me mostrou que o Termo de Acordo Judicial (TAJ) está se consolidando como um marco para a conservação no Paraná e, especialmente, no litoral, podendo se tornar um modelo para outras regiões do Brasil”, complementou.

Ainda durante a abertura, Manuela Muanis, gestora da área de obrigações legais do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (FUNBIO), destacou que o Programa entra agora em uma nova etapa, após um período de construção, aprendizado e experimentação de ferramentas, projetos e mecanismos de governança. “Estamos prontos para um segundo passo, que é realmente fazer um investimento cada vez mais sinérgico, complementar e estruturado”, comentou. Para Manuela, o próximo ciclo deve ser orientado por uma perspectiva de longo prazo. “Eu espero que, daqui desse evento, a gente saia com uma visão de pelo menos cinco anos, com esse olhar para a consolidação das UCs, da proteção, do desenvolvimento sustentável e para a definição de metas”, pontuou.

Resultados, legado e visão de futuro

No primeiro dia do Encontro, os participantes conheceram um panorama dos cinco anos de atuação do BLP, com apresentação da distribuição temática e territorial das iniciativas, resultados alcançados, execução e desafios, apresentado pela secretária executiva do BLP, Daniela Leite. Também foram apresentados resultados do monitoramento dos projetos e discutida a implementação das UCs como uma das principais metas do Programa, por Mariana Gogola, consultora do FUNBIO.

Na parte da tarde, os participantes foram convidados a refletir sobre o legado que o BLP pretende deixar para o território. A provocação central foi realizada pelo consultor do FUNBIO, Rogério Cabral, com o tema “Em 2037, o que estará diferente no território como resultado do fortalecimento das UCs do Litoral do Paraná?”.

A partir dessa visão de futuro, os participantes se dividiram em grupos de trabalho para discutir seis linhas temáticas: proteção; pesquisa, monitoramento, manejo e conservação; gestão socioambiental; uso sustentável; uso público e negócios; e avaliação de impactos.

Com a facilitação de Márcio Ranauro, consultor do FUNBIO, os grupos avaliaram a pertinência das linhas temáticas, identificaram prioridades, desafios e oportunidades e apresentaram suas contribuições em plenária. Os resultados foram reunidos em painéis que orientaram as discussões dos dias seguintes.

Articulação, integração e gestão

Já o segundo dia foi dedicado à articulação entre os diferentes atores envolvidos com o Programa e à identificação de oportunidades para ampliar a integração entre instituições, políticas e iniciativas. As atividades começaram com a retomada dos resultados construídos no primeiro dia. Em seguida, os participantes trabalharam na construção de um mapa de atores do Programa, identificando organizações, papéis, relações e espaços de governança.

As discussões avançaram para a análise dos pontos em que a articulação funciona e daqueles em que existem rupturas ou oportunidades de melhoria. Também foram realizados laboratórios de articulação e integração, com debates sobre coordenação territorial, integração entre políticas, participação social, conhecimento e dados, cooperação entre projetos e relacionamento com o setor privado e a academia.

Os participantes participaram de uma dinâmica para identificar os temas de maior interesse coletivo e, posteriormente, de uma clínica de gestão. As discussões foram organizadas em seis temas: governança e papéis; modalidades de acesso aos recursos; acompanhamento dos projetos; monitoramento do Programa; comunicação e formação; e captação e sustentabilidade.

Os grupos avaliaram avanços, oportunidades de melhoria e exemplos de sucesso em cada área. As contribuições foram apresentadas em plenária e incorporadas ao conjunto de recomendações para a atualização das estratégias do Programa.

A programação incluiu ainda uma degustação de produtos locais, como geleias, mel de abelhas nativas, doces artesanais, balas de banana com açaí juçara e outros produtos elaborados a partir de ingredientes do território. A iniciativa buscou valorizar a produção local e apresentar aos gestores possibilidades de utilização desses produtos em eventos e outras ações.

Consolidação e próximos passos

No último dia, os gestores e convidados retomaram os resultados construídos ao longo do encontro e trabalharam na revisão e consolidação das principais lições, recomendações e encaminhamentos. A proposta foi avaliar se os resultados produzidos nos grupos de trabalho estavam claros, estruturados e alinhados às necessidades do Programa, além de identificar lacunas, riscos e condições para a implementação das propostas. As contribuições foram apresentadas em plenária, permitindo o alinhamento final entre os participantes e os principais encaminhamentos.

Com o encerramento do Encontro, os resultados passam a subsidiar a revisão das estratégias do BLP e a construção de uma visão de longo prazo para o Programa, com foco na consolidação das UCs, no fortalecimento da proteção da biodiversidade, no desenvolvimento sustentável e na integração entre os diferentes atores do território.  Para saber mais sobre o evento, acesse a ata disponível neste link.