
Com investimento de mais de R$ 4 milhões do BLP, base do Ibama em Paranaguá recebe equipamentos e terá nova sede
Investimento inclui reforma de prédio, compra de embarcação, drone, câmeras, rádios e outros equipamentos para ampliar a atuação do órgão
O Programa Biodiversidade Litoral do Paraná está financiando a estruturação de uma nova base do Ibama em Paranaguá. O projeto tem investimento de mais de R$ 4 milhões e prevê a reforma de um prédio histórico em área estratégica da cidade. Também foram comprados e entregues equipamentos como embarcação, drone, câmeras corporais e rádios transmissores.
A iniciativa busca resolver uma dificuldade operacional da unidade no litoral. Hoje, o Ibama funciona em um prédio distante da água, sem garagem e sem espaço adequado para guardar veículos e materiais usados nas operações. Isso afeta a conservação dos equipamentos, aumenta o tempo de preparação das equipes e reduz a agilidade no atendimento a denúncias.
Com a nova estrutura, o órgão deve ganhar melhores condições para atuar em casos de pesca irregular, desmatamento, extração ilegal de palmito, caça, crimes contra a fauna e ocupações em áreas protegidas. Segundo Marcos Ahlf, chefe do Ibama em Paranaguá, a mudança é essencial para aproximar a unidade das áreas onde a fiscalização acontece. “Na fiscalização do litoral, não basta ter equipe. É preciso ter estrutura para chegar aos locais, proteger os equipamentos e organizar a resposta. A nova base dá ao Ibama uma condição de trabalho que a unidade não tinha”, afirma.
Base deve reduzir tempo entre denúncia e ação
A nova sede ficará em uma área estratégica de Paranaguá. A escolha do imóvel está ligada à rotina da fiscalização ambiental no litoral, onde parte das ocorrências depende de deslocamento por embarcação até ilhas, comunidades costeiras e áreas de difícil acesso. Hoje, sem uma base próxima ao eixo de saída para essas operações, a equipe precisa lidar com etapas adicionais antes de ir a campo.
A mudança concentra, em um mesmo local, equipe, veículos, materiais de fiscalização e ponto de saída por água. “Se chega uma denúncia de pesca predatória em uma ilha, hoje eu não consigo sair daqui e atender no mesmo dia. Com o outro prédio estruturado, a embarcação e os equipamentos próximos, essa resposta passa a ser muito mais rápida”, diz Marcos.
O novo endereço também aproxima o Ibama de instituições que atuam em ações ambientais e de segurança pública no litoral, como Polícia Federal, Núcleo Especial de Polícia Marítima (Nepom) e Marinha do Brasil. A proximidade pode facilitar mobilizações conjuntas em ocorrências que exigem a participação de mais de um órgão.
Para Marcos, a mudança também reforça a presença institucional do Ibama na cidade. No imóvel atual, segundo ele, a identificação do órgão é pouco visível para quem passa pela região. “Hoje, se você passa em frente ao prédio, só percebe que o Ibama está ali por causa da caminhonete estacionada. A nova sede dá outra presença institucional para um órgão que precisa estar visível no território”.
Embarcação própria amplia autonomia do Ibama
Entre os itens financiados pelo BLP, a embarcação é considerada um dos principais avanços para a unidade de Paranaguá. Embora atue na fiscalização da pesca, o Ibama não possuía lancha própria no município. Com isso, parte das operações dependia da disponibilidade de embarcações de outros órgãos.
A nova lancha deve permitir que a equipe planeje ações com mais autonomia e chegue com mais rapidez a ilhas, áreas de pesca, comunidades costeiras e locais onde o acesso por terra não é possível. O equipamento também deve apoiar o retorno das equipes a pontos já fiscalizados, etapa importante para verificar reincidências e acompanhar a situação depois das operações.
“Somos responsáveis pela fiscalização da pesca e não tínhamos uma embarcação. Com a lancha, a unidade passa a ter autonomia para fiscalizar sem depender do tempo de outro órgão. Para nós, isso muda tudo”, relata Marcos. A embarcação já foi recebida, passou por teste e deve entrar em operação em cerca de um mês, após patrimonialização e registro junto à Marinha.
Drone, câmeras e rádios reforçam trabalho em campo
Além da embarcação, a unidade recebeu um drone, câmeras corporais, rádios transmissores, cadeiras e outros materiais de apoio. Os equipamentos atendem a diferentes necessidades da rotina de fiscalização, como comunicação entre servidores, registro de abordagens, segurança das equipes, monitoramento de áreas remotas e organização administrativa.
O drone já está disponível na unidade e os servidores receberão capacitação para operá-lo. Em um território formado por ilhas, morros, manguezais, restingas e trechos de Mata Atlântica, o equipamento deve ajudar no reconhecimento de áreas de difícil acesso e no planejamento das operações. “O drone permite chegar visualmente a áreas onde a entrada da equipe é mais complicada. Isso ajuda muito porque permite monitorar à distância e planejar melhor a ação”, conclui Marcos.
Linha de Proteção
O apoio ao Ibama está vinculado à linha de Proteção do Programa Biodiversidade Litoral do Paraná, voltada a proteger a biodiversidade e outros atributos socioambientais do litoral, garantindo a integridade de recursos e valores considerados fundamentais para o território. Essa linha prioriza áreas críticas de desmatamento, pontos de maior pressão sobre fauna e recursos naturais e Unidades de Conservação de proteção integral. Prevê o apoio a órgãos públicos de comando e controle, a integração entre instituições e sociedade civil e o fortalecimento de capacidades necessárias para proteger o território de forma mais organizada e contínua.
Para saber mais, conheça o Planejamento Estratégico do Programa.
foto: Ibama