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Batalhão da Polícia Ambiental
Projetos

Reequipamento da Polícia Ambiental fortalece ações de fiscalização no litoral do Paraná

Unidade recebeu R$ 1 milhão do Programa Biodiversidade Litoral do Paraná para adquirir embarcações, drones, EPIs e reforçar a estrutura das bases operacionais

O litoral do Paraná abriga o maior remanescente contínuo da Mata Atlântica no Brasil, incluindo manguezais, restingas, áreas de floresta ombrófila densa e uma rica biodiversidade. Essa região, no entanto, é também marcada pela pressão constante de atividades ilegais, como desmatamento, caça e pesca predatória. É nesse contexto que a 1ª Companhia do Batalhão de Polícia Militar Ambiental (BPMA), sediada em Paranaguá, recebeu um reforço estrutural inédito nos últimos anos. No período de 2024/2025, o Programa Biodiversidade Litoral do Paraná destinou R$ 1 milhão para a aquisição de embarcações, drones, equipamentos de georreferenciamento, materiais de proteção individual e itens logísticos essenciais para a operação em campo. 

Para 2026, já está aprovado mais um investimento de R$ 1 milhão para estruturação de pontos de apoio fixo em cinco municípios, além de equipamentos de proteção individual e outros materiais. A medida responde a uma carência histórica da corporação, como explica a capitã Maria Cecilia M. N. T. Rodrigues, comandante da 1ª Cia do BPMA à época do projeto. “Quando surgiu essa oportunidade, pensando num programa totalmente voltado para a biodiversidade do litoral e considerando que a gente é um dos protagonistas na fiscalização ambiental da região, foi pensado nesse reequipamento para poder melhorar as atuações no território”. Todos os materiais adquiridos com o apoio já foram entregues à Companhia, com foco na atuação em áreas aquáticas e no fortalecimento da infraestrutura básica das bases operacionais. 

Segundo a comandante, os novos itens foram fundamentais para garantir autonomia e segurança nas operações. “Foram entregues barcos, drone, GPS, coletes, inclusive coletes infláveis para patrulhamento aquático, e coletes salva-vidas. Também recebemos carretas de encalhe para os barcos e houve um reequipamento das bases de atendimento no litoral, com itens básicos como cadeira, fogão, geladeira, para que os policiais possam preparar alimentos durante os dias de serviço”. 

A capitã avalia que os novos recursos impactam diretamente a capacidade de resposta da corporação. “Aumenta consideravelmente o nosso poder de resposta na fiscalização e no atendimento de denúncias ambientais. Quando a gente pensa na questão aquática, a gente precisa de uma forma de se locomover nesse meio. Então, os barcos vieram suprir essa necessidade da Companhia de se deslocar pensando na fiscalização, principalmente de pesca. Na parte de materiais, quando a gente pensa em computadores, em cadeira, questões básicas para o trabalho, aumenta a nossa capacidade operativa. Melhora os processos de auto de infração e a própria qualidade de trabalho do policial militar”.

Desmatamento, caça e pesca irregular lideram ocorrências

Entre os principais crimes combatidos pela 1ª Companhia, o desmatamento lidera as estatísticas. Em muitos casos, está associado à extração ilegal de palmito-juçara, espécie ameaçada de extinção. A caça em áreas protegidas também é comum e, segundo a tenente, frequentemente ocorre nos mesmos locais onde há desmate. A pesca irregular completa o grupo de infrações mais recorrentes. “A extração do palmito e a caça geralmente ocorrem nas mesmas áreas. São crimes que andam juntos. A presença da fiscalização é essencial para coibir essas ações e proteger os remanescentes florestais do litoral”, afirma. 

Só em setembro deste ano, durante a 9ª edição da Operação Mata Atlântica em Pé, foram aplicadas mais de R$ 19 milhões em multas, lavrados 108 autos de infração e identificados 836 hectares desmatados ilegalmente, o equivalente a 1.100 campos de futebol. A tenente reforça que o envolvimento da população é fundamental para o sucesso das operações. Denúncias podem ser feitas de forma anônima pelo telefone 181 ou presencialmente nas quatro bases da Polícia Ambiental no litoral. “Muitas vezes, a informação passada pela comunidade é a peça que falta no nosso quebra-cabeça. Mesmo algo aparentemente simples pode ser determinante”.

Presença mais constante também favorece ações educativas

A atuação da Polícia Militar Ambiental vai além da repressão aos crimes. Com o reforço na estrutura, a corporação tem conseguido intensificar sua presença em atividades de educação ambiental, especialmente junto a comunidades tradicionais e escolas da região. Durante o verão, são realizadas exposições, palestras e visitas que ajudam a sensibilizar a população sobre a importância da conservação. Para a tenente, o contato direto com os moradores permite avançar também sobre questões culturais ainda presentes em algumas localidades.

“Ainda existe uma cultura forte relacionada à caça para subsistência que hoje não se justifica mais. Quando conseguimos estar presentes nas comunidades longínquas, conseguimos trazer a educação ambiental e aos poucos a cultura vai mudando. A ideia da preservação e da conservação aumenta cada vez mais naquela localidade”, afirma a capitã. 

Esse tipo de atuação mostra como o apoio recebido tem impacto direto na rotina da Companhia e na forma como ele consegue cumprir seu papel na conservação. “O Programa Biodiversidade Litoral do Paraná vai ao encontro do propósito da 1ª Companhia, que é o patrulhamento nessas áreas, principalmente, por ser ainda um remanescente grande da Mata Atlântica. A iniciativa veio para somar e a gente espera que ele se perpetue”, finaliza a capitã.

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Foto: Polícia Militar do Paraná