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Encontro do Meio
Projetos

Encontro do meio avalia avanços do projeto Diálogo UC no Litoral do Paraná

Evento reúne gestores ambientais e lideranças comunitárias para fortalecer ações em Unidades de Conservação 

Com o objetivo de avaliar o andamento dos planos de intervenção nas Unidades de Conservação (UCs), o projeto Diálogo UC, executado pelo Mater Natura com financiamento do Programa Biodiversidade do Litoral do Paraná (BLP), promoveu em Paranaguá o “Encontro do Meio”, uma parada estratégica para refletir sobre os avanços, os desafios e os próximos passos da iniciativa. O projeto atua diretamente no fortalecimento da gestão participativa de cinco UCs localizadas no território da Área de Proteção Ambiental (APA) de Guaratuba (Parque Nacional de Saint-Hilaire/Lange, Parque Nacional Marinho das Ilhas dos Currais, APA Estadual de Guaratuba, Parque Nacional Guaricana, Parque Estadual do Boguaçu e Parque Natural Municipal Lagoa do Parado), além de incluir a comunidade Mundo Novo do Saquarema, em Morretes, onde há ações voltadas ao fortalecimento de uma associação comunitária.

“O projeto Diálogo UC é um projeto de fortalecimento dos espaços de participação das UCs e de uma comunidade aqui no território da APA de Guaratuba. Nasceu de uma das ações do PPPEA Guaratuba, que é o Projeto Político-Pedagógico Mediado pela Educação Ambiental. Ele faz parte de uma das 25 ações que o documento contempla para a educação ambiental nesse território”, explicou Renata Garrett Padilha, coordenadora do projeto. Ao longo dos próximos meses, a iniciativa pretende consolidar resultados distintos em cada uma das cinco UCs, mas que convergem para o fortalecimento da gestão participativa no território.

“O encontro de hoje surgiu como uma ideia de compartilhar todas essas experiências e fazer uma avaliação dos planos de intervenção até esse momento, oportunizando a troca entre todos os participantes. Cada UC teve um grupo de trabalho para elaborar e implementar ações voltadas às suas necessidades. Uns são para montar conselho, outros para fazer material educativo, outros para reuniões com comunidades. Cada um escolheu uma estratégia para aproximar a UC da comunidade”, completou Renata. Representantes do ICMBio, do Instituto Água e Terra (IAT) e de prefeituras, além de universidades e organizações da sociedade civil, participaram das trocas ao lado de associações comunitárias. 

UCs federais destacam Planejo de Manejo e mobilização comunitária 

No Parque Nacional de Saint-Hilaire/Lange, o grupo avançou na devolutiva do Plano de Manejo às comunidades de Cabaraquara, Prainha e Vila Nova. A ação, já realizada, abriu espaço para uma interlocução mais direta entre moradores e gestores, que agora organizam uma cartilha para explicar, em linguagem simples, o que muda na prática com a implementação do plano. O objetivo é que a população compreenda seu papel na gestão e reconheça o parque como parte do cotidiano territorial.

No Parque Nacional Marinho das Ilhas dos Currais, o debate girou em torno da relação histórica entre pesca artesanal, turismo e conservação. O grupo está elaborando um livro que reúne informações científicas e saberes tradicionais sobre o parque, além de preparar entrevistas com pescadores de Matinhos e Pontal do Paraná. Esse material será base para banners educativos e para um vídeo de sensibilização direcionado a visitantes, pescadores e instituições locais

Para Flávia Domingos, analista ambiental do Núcleo de Gestão Integrada do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) em Matinhos, o encontro foi produtivo ao permitir que cada grupo de trabalho avaliasse sua atuação nos parques sob sua responsabilidade. “O ICMBio, como gestor das UCs federais, tem um papel importante nesse processo de diálogo. Estamos envolvidos com os grupos de trabalho do Parque Nacional de Saint-Hilaire/Lange e do Parque Nacional Marinho das Ilhas dos Currais, onde as ações têm foco relevante na participação social das comunidades e dos atores do território”, afirmou Flávia.

Conselhos gestores ganham centralidade em projetos estaduais e municipais

A APA Estadual de Guaratuba e o Parque Estadual do Boguaçu apresentaram planos com ênfase na criação e reestruturação de seus conselhos gestores. Os grupos já avançaram no mapeamento de atores, na integração metodológica entre as duas UCs e na preparação de reuniões comunitárias que irão subsidiar as minutas de portarias previstas para serem finalizadas até o final de 2025.

No Parque Natural Municipal Lagoa do Parado, a educomunicação tem sido a porta de entrada para aproximar a comunidade do entorno. O grupo está cocriando, com estudantes da Escola da Limeira, um folder educativo sobre o parque, ao mesmo tempo em que prepara ações de sensibilização com apoio de equipamentos adquiridos pelo projeto. O material busca apresentar o valor ecológico da Lagoa do Parado e incentivar a participação no processo de criação do futuro conselho gestor.

Comunidades fortalecidas e conectadas ao território

A participação das comunidades locais tem sido um dos pilares do projeto. Representando a Associação Pedagógica Escola Jardim Alma, de Guaratuba, o educador Israel Montezuma destacou o trabalho desenvolvido no grupo de intervenção voltado ao Parque Estadual do Boguaçu, que busca a formação do conselho consultivo da UC e a criação de estrutura para visitação, pesquisa e educação ambiental. “O nosso grupo de trabalho está fluindo muito bem. Estamos avançando bastante e hoje foi um momento de consolidar esse trabalho que estamos desenvolvendo junto às entidades civis e governamentais”, comentou.

Já Afonso Meira, da Associação de Moradores da Vila Nova, em Matinhos, falou sobre o envolvimento da comunidade com o plano de intervenção voltado ao Parque Nacional de Saint-Hilaire/Lange. “A gente está aqui para aprender e repassar esse conhecimento à comunidade, mostrando que a preservação do meio ambiente também traz benefícios concretos. É um trabalho enriquecedor”, afirmou.

Na Comunidade Mundo Novo do Saquarema, em Morretes, o grupo apresentou ações voltadas à melhoria da qualidade da água, ao fortalecimento da Associação dos Produtores Rurais e Moradores do Mundo Novo do Saquarema e à mobilização comunitária. Entre as iniciativas estão a instalação de hidrômetro, campanhas de limpeza do rio, oficinas de educomunicação e atualização do regimento interno da associação. O objetivo é construir, junto aos moradores, um plano de ação que fortaleça a gestão da água e a organização comunitária.

Próximos passos

O Diálogo UC foi selecionado pelo BLP na Chamada de Projetos 16.2024, com investimento de R$ 649.978,00. A proposta integra a linha temática de Gestão Socioambiental e tem a parceria de instituições como ICMBio, IAT, Universidade Federal do Paraná (UFPR) e Rede PPPEA Guaratuba.

Com a primeira metade do projeto concluída, a expectativa é que os grupos de trabalho sigam agora com estratégias ajustadas a partir das trocas realizadas no Encontro do Meio. Para Juliana Ventura, integrante da equipe do projeto Diálogo UC, este foi um momento-chave do percurso. “Ainda temos muito pela frente, mas sair daqui com reflexões e aprendizados coletivos certamente fortalece os próximos passos. O Diálogo UC é sobre isso: construir juntos, com diálogo, escuta e ação”, finalizou.

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